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quinta-feira, outubro 13, 2016

Irmãos Gêmeos

- Me disseram que eu tenho um irmão gêmeo.
- Você acreditou?
- Sim, por isto estou aqui.
- Quer me contar como aconteceu?
- Eu sou de Terezina no Piauí, nasci em 30 de Janeiro de 1983, na Maternidade Evangelina Rosa.
- Espera, tem certeza que precisa ser tão específico.
- O senhor é o detetive Paranhos não é.
- Sou sim.
- Pelo que eu soube o senhor é o melhor da região e me foi muito bem recomendado.
- É, modéstia à parte, eu sou sim.
- Na sua placa na porta está escrito “Detetive Paranhos – Por favor ‘Seja específico’”.
- Tem razão, faz tempo que tenho que trocar esta placa, eu a coloquei porque as pessoas achavam que eu era um tipo de mágico ou prestidigitador, me davam um nome sem sobrenome para eu encontrar a pessoa sabe Deus onde.
- Por isto estou seguindo o seu conselho senhor Paranhos.
- Então continue senhor...?
- Balthazar.
- Sim claro, continue senhor Balthazar.
- Como eu dizia, eu nasci naquela maternidade há pouco mais de trinta anos, a minha mãe se chama Gertrudes de Aragão Nunes e meu pai se chama Ermelino Nunes, então sou Balthazar de Aragão Nunes. A minha história não é tão incomum sou o tipo do migrante que veio para São Paulo em busca de uma vida melhor.
- Como era a vida em Terezina?
- Bom, por ser a capital do estado e a cidade mais populosa, havia um problema crônico de espaço e a concorrência era feroz para o que quer que fosse, tanto mercadorias, mulheres, empregos, escolas e tudo o mais, era difícil lidar com isto, a temperatura geralmente é bastante alta, durante muitos anos achei que não sairia de lá, afinal eu gostava do lugar, estava completamente adaptado, mas muita coisa me incomodava.
- O que, por exemplo?
- Bem, meus vizinhos eram excêntricos, dados a festas que viravam a madrugada, a minha incompetência no aprendizado que acabou se mostrando como apenas um tipo de bloqueio, pois aqui em São Paulo consegui lidar muito bem com os estudos, mas antes eu achava que não iria muito longe estudando por lá.
- Entendo, talvez fosse apenas uma questão de desafio.
- Pode ser, mas acho que era mais a curiosidade de conhecer a maior cidade do país, sempre tive curiosidade sobre São Paulo, desde que me entendo por gente, acho que sempre senti uma atração por estas terras, como se eu tivesse nascido aqui, entende?
- Sim, claro, vários dos meus clientes costumam dizer o mesmo, mas continue.
- Então, eu tinha 15 anos quando pensei em ser arquiteto, sabia que a profissão era dura, pois a não ser pelo Oscar Niemeyer, poucas pessoas haviam se dado bem no Brasil nesta profissão principalmente em Teresina, isto seria também um bom motivo para vir para cá.
- Têm parentes aqui?
- Não, mas agora começo a achar que sim.
- Por quê?
- Por causa do episódio da rodoviária.
- O que houve na rodoviária senhor Balthazar?
- Eu tinha acabado de chegar a São Paulo voltando de uma viagem a Terezina, tinha ido visitar a minha mãe, deve fazer uns dois anos que isto aconteceu e de repente fui abraçado por um estranho e ele disse com muita intimidade:
“- Leônidas, que saudades de você, como você mudou, também, deve fazer uns 10 anos que não o vejo, como está jovem, não envelheceu nenhum dia. - Me desculpe senhor, de que nome me chamou?
- Leônidas, seu brincalhão, não me diga que não se lembra de seu velho amigo?
- Olha, o senhor está me confundindo, não conheço nenhum Leônidas, meu nome é Balthazar, não sei como pode ter me confundido, mas não posso ajudá-lo.”
- Eu já estava saindo e me distanciando quando aquele senhor correu atrás de mim me pegou pelo braço e disse:
“...- Não é possível, você é o Leônidas ou você é irmão gêmeo dele, tem os mesmos olhos, o mesmo nariz, se eu tivesse uma foto mostraria a você, mas não pode haver outra pessoa tão parecida assim.
- Meu senhor, vou te provar que não sou o Leônidas.”
- Mostrei a identidade a ele e disse que trabalhava em São Paulo há muitos anos e que as únicas cidades que conhecia eram Terezina minha cidade natal e São Paulo onde estava trabalhando hoje, mas ele insistia que me conhecia de Goiânia.
- Entendi, por isto veio me procurar, quer achar o seu irmão gêmeo.
- Na verdade ele pode ser apenas um sósia.
- É uma possibilidade, mas pela descrição detalhada do sujeito, a possibilidade de vocês serem irmãos é grande. Vou começar a investigação, preciso do endereço da clínica de seu nascimento, toda a sua documentação e se puder a de seus pais, também vou mandar alguém a Goiânia para ver se encontram alguém parecido com você, então também precisarei de uma foto em tamanho de pôster se possível.
- Por favor senhor Paranhos, faça isto com discrição, não quero meu rosto nos jornais de Goiânia, eu não sei o que o meu suposto irmão faz ou fez, não quero me arriscar à toa.
- Entendo a sua preocupação, senhor Balthazar, pode confiar, realizarei um bom trabalho e o manterei informado.
- Obrigado senhor Paranhos.
- Como deve saber, estou a serviço do senhor Oscar.
- Claro, eu jamais poderia pagá-lo.
- Então terei que notificá-lo das minhas descobertas.
- Não há problemas senhor Paranhos, o senhor Oscar quer muito me ajudar e pode contar tudo o que descobrir para ele também. Quando começa?
- Terei que fazer alguns telefonemas, agendar os voos, contratar um pessoal e assim que me trouxer a documentação vou para campo investigar.
- Então estamos acordados.
Depois disso voltei à pensão Tordilhos, onde tenho morado nos últimos anos:
- Telefone para você, senhor Balthazar.
- Obrigado senhora Helga, já vou descer para atender.
Ainda preciso usar os telefones fixos:
- Alô, aqui é o Balthazar.
- Oi Balthazar, sou eu.
- Oi linda, finalmente você ligou.
- Como é que pode, eu devo ser a única mulher cujo namorado, não tem celular.
- Graziela, eu estou trabalhando nisso, em breve, eu vou ter um, mas sabe como é a vida de mordomo, não é tão rentável assim.
- Balthazar ou você é pão duro demais ou tem medo de tecnologia, até os carrinheiros têm celular...Bom deixa prá lá, como foi com o investigador?
- Ele pareceu um sujeito interessante e muito competente vamos ver o que ele é capaz de fazer, não dá para analisar sem ver os resultados né, você vai passar aqui hoje ou quer que a pegue no serviço?
- Você está de folga?
- O senhor Oscar disse que depois de tanta dedicação eu merecia uma semana de folga.
- Faça o seguinte, eu vou sair em meia hora, venha aqui, vamos sair para jantar ou fazer alguma outra coisa.
- Certo logo mais nos encontramos então.
Ao desligar o telefone, eu ouvi um comentário da senhora Helga:
- Já ouviu falar em telefone celular, senhor Balthazar?
- Dona Helga, obrigado pela dica. – Respondi de modo sarcástico.
Ainda ouvi comentário quase silencioso de Dona Helga:
- O cara parece o tio Patinhas.
Mas a este não quis responder, combinei de encontrar a Grazi no Bar Guantânamo:
- Balthazar, vai me contar o que realmente aconteceu?
- Sobre o que, Grazi?
- Você trabalha há 3 anos para este tal de Oscar e ele nunca foi de te dar nem bom dia, de repente você ganha uma semana de folga, o sujeito contrata um detetive para você encontrar alguém que você nem sabe se existe.
- Grazi, meu bem, para começar a história é muito séria, o sujeito que me abordou na rodoviária, ficou muito desnorteado quando percebeu que eu não era o tal Leônidas.
- Certo já ouvi esta história mil vezes.
- Quanto ao senhor Oscar aconteceu o seguinte, como você sabe sou formado em arquitetura.
- De novo você é único, Balthazar.
- Como assim?
- O único arquiteto que trabalho de mordomo.
- Sabe Grazi, às vezes me pergunto por que eu namoro você.
- Porque eu sou linda, paciente, compreensiva e estou sempre te incentivando.
- Claro, claro, só pode ser por isto, quer ouvir a minha história?
- Vamos lá.
- A pouco tempo o senhor Oscar estava com dificuldades de terminar um trabalho que iria render muito dinheiro tanto para empresa quanto para ele mesmo, mas não conseguia terminar, já fazia três dias que estava travado com alguns cálculos, como deve saber a matemática é uma ciência exata. - Se você não fala, eu nunca ia saber.
- Grazi, como você não se tornou humorista?
- Sei lá, falta de oportunidade.
- Então, fui servir um café para ele e notei em uma rápida olhada que o cálculo inicial estava errado, então:
“- Senhor Oscar.
- Diga Balthazar.
- Acho que o senhor se equivocou neste primeiro cálculo.
- A raiz quadrada de 125?
- Sim, na verdade é 11,18 e não 25, pois 25 é a raiz quadrada de 625.
- Nossa...- conferindo -...tem razão. Fiquei tão entretido em cálculos de fórmulas que esqueci a matemática básica, esta história de fazer conta de cabeça sempre me levou a erro, perdi de tirar vários 10 em matemática por causa desta bobeira. Como consegue guardar estes números na cabeça?
- Quando se é formado em arquitetura e não se exerce a profissão, isto se torna um hobby.”
- Assim você caiu nas graças do patrão.
- Ele até me deu uma grana por causa do grande contrato que conseguiu fechar.
- E tudo por causa de uma raiz quadrada.
- Sim.
- Talvez agora você possa comprar um celular.
- Apesar de achar que não é necessário, desta vez você tem razão. - Aleluia, finalmente, mas o que fez você mudar de ideia?
- Acredito que com um investigador trabalhando para mim é bom que ele tenha contato direto comigo.
- Finalmente usou a cabeça Balthazar, talvez você não seja tão leso quanto imaginei.
- Apesar do insulto vou tomar como um elogio, minha linda namorada.
- Não fique acomodado, se você se mostrar interessado, talvez o senhor Oscar te dê uma oportunidade de trabalhar com ele no ramo da arquitetura. - Não estou tão confiante como você, mas acho que pode ter razão.
- Eu sempre tenho razão, você é que nunca me escuta.


Continua

segunda-feira, maio 23, 2016

Xadrez dos Deuses V

Movimento de Mazda rock menor (0-0).
- Então você mantém profetas sob o seu comando e assim manda mensagens a eles.
- Sim.
- Eles entendem o que você quer dizer? E já que têm a liberdade de não aceitá-lo como Deus, como estas mensagens são recebidas?
- Mazda este é o segredo, eu não tenho ideia de como eles recebem a mensagem, eles são tão complexos, tão cheios de dúvidas que podem acreditar hoje e amanhã duvidar porque a fé deles é muito fraca, poucos têm discernimento para entender o que realmente acontece no mundo.
- Na verdade tudo isto não passa de um jogo como este que estamos jogando.
- Alguns poderiam definir assim, mas em um jogo normalmente sabemos as regras.
- Você não permite que eles saibam as regras?
- Olha só, eu permito sim, aliás eu sou muito benevolente, o problema é que eles me bloqueiam.
- Como assim.
Movimento de Javé rock menor (0-0).
- Está vendo aquele sujeito ali - aponta para um corredor que está fazendo alongamento – o nome dele é Jacinto, o grande desejo dele é entender porque a vida dele não funciona, ele acorda cedo todos os dias para correr aqui, depois volta para a casa toma um banho e vai trabalhar, estudou por muitos anos para ter o bom emprego que tem hoje, tem mulher e 3 filhos saudáveis, tudo está muito bem, mas por algum motivo ele acha que fracassou na vida que poderia ter seguido outro rumo, que poderia ter virado um grande escritor, um excepcional cineasta, talvez um apresentador de programa de televisão, por isto, às vezes ele ora para mim para que eu realize o sonho dele.
- Evidentemente você o escuta, mas o fato de ele não conseguir realizar o sonho dele tem a ver com as tais regras?
Movimento de Mazda CF6-G4.
- Um pouco, veja bem, ele tem uma vida boa como muitos no planeta não tem, eles têm uma mania de não olhar de onde vieram e apenas olhar para cima e enxergar quantas pessoas estão acima deles, então de certa maneira ele é apenas um mal agradecido, por outro lado é bom que ele tenha aspirações, pois um ser humano sem objetivos pode perder a vontade de viver, mas a grande verdade é que ele me pede para ajudá-lo, mas não faz nada para conquistar o seu sonho, fica difícil ajudar alguém que não se movimenta.
- Não sei se entendo o que quer dizer.
- Eu quero dizer, Mazda, que quando ele não luta por seu sonho, ele bloqueia a oração que faz a mim, por isto não posso ajudá-lo, muitos deles acham que posso fazer milagres, na verdade eu posso, mas nunca vou dar nada a eles que não seja merecido e no caso deste rapaz há um agravante, se ele realizasse o seu sonho, muito provavelmente perderia tudo o que conquistou até hoje e trocaria todo este bem estar e regramento por dinheiro e perseguição com risco de morte. Eu sei exatamente o que aconteceria com os meus filhos se os seus desejos se realizassem por isto tenho o cuidado de não realizar determinados desejos.
- Então, eles precisam rezar, lutar por seus sonhos e correm o risco de estarem no caminho errado?
- Exatamente. E em alguns casos as consequências desastrosas.
- E no caso a sua tarefa é evitar que se percam.
- Sim, mas somente para os que têm fé.
- E os outros.
- Esta é uma das regras do jogo, sem fé ninguém chega a lugar nenhum, por isto, os outros são entregues a própria sorte, ou seja, este é mais um dos bloqueios do qual eu falava.
Movimento de Javé PH2-H3.


Continua

segunda-feira, abril 04, 2016

Poder de Cura III

"Antes da continuação da história quero pedir desculpas aos fãs do blog, pela demora nas publicações, infelizmente tentado andado ocupado e quem acompanha o meu sabe que tenho problemas sérios de visão o dificulta ainda mais a continuação das publicações, mas este esforço para satisfazê-los com as minhas histórias, espero que gostem e continuem comigo, farei o máximo para que não tenham que esperar tanto na próxima vez." O autor.


Vendo que Bóris era bastante eficiente, Carlos começa a visualizar seu hospital como referência nacional de instituição. Porém ainda havia um problema, pois os poderes de Bóris não podiam ser explicados, a não ser como milagres, então Carlos sabia que em algum momento, isto viria a tona. Neste dia em especial sabia que devia tomar uma decisão a este respeito.
- Gostaria de falar com o Diretor Carlos.
- Nome e assunto por favor!
- Eu sou Jorge Erllen Meyer e vim fazer uma proposta muito vantajosa para ele.
- Aguarde um minuto senhor Erllenmeyer.
Na sala do diretor:
- Erllen Meyer, Erllenmeyer onde já ouvi este nome.
- Senhora Clara mande-o entrar.
Logo:
- Senhor Carlos.
- Senhor Erllenmeyer.
- Jorge, por favor.
- Certo, senhor Jorge, em que posso ser útil, disse a minha secretária que tinha uma proposta para mim, é sobre o meu hospital.
- De certa forma sim, na verdade senhor Carlos, eu soube que o seu hospital tem feito curas milagrosas que desafiam a medicina, pode me falar a respeito.
- Depende senhor Jorge, o senhor representa alguma corporação?
- Eu represento o mercado farmacêutico e tenho andado preocupado que os seus pacientes deixem de usar nossos remédios.
- Agora me lembrei do senhor é o dono do maior laboratório de remédios do país, mas por que acha que meus pacientes fariam isto senhor Jorge?
- Realmente acha que não sei o que está acontecendo aqui, senhor Carlos? Então vou direto ao assunto, primeiro suas curas são realmente milagrosas ninguém que entra neste hospital com doenças crônicas e terminais sai precisando tomar um analgésico sequer, então significa apenas que o senhor está represando todo o lucro para si, isto pode criar um grande conflito de interesses, está me acompanhando senhor Carlos. – Carlos assente com a cabeça – Mas não é isto que me preocupa hoje.
- Não é, depois deste discurso achei que fosse me perseguir ou me denunciar, o que o senhor realmente quer senhor Jorge?
-Na verdade, estou disposto a esquecer este contratempo e deixá-lo trabalhar em paz, se o senhor resolver o meu problema de saúde.
- Do que se trata?
- Este é o problema, ninguém sabe ao certo. Alguns chamam de epilepsia, outros de esquizofrenia e outros ainda de psicose, mas ninguém conseguiu me dar um diagnóstico correto ou mesmo um tratamento, eu trabalho par o ramo farmacêutico e sei que tivesse algo que eu pudesse fazer já teria feito, por isto vim até você.
- Bem, senhor Jorge, vamos fazer o seguinte, vou marcar uma reunião com o meu milagreiro e conversaremos depois sobre as formas de pagamento que incluem a sua proposta que deve ser melhorada com uma proposta monetária evidentemente.
- Claro senhor Carlos, quando quiser.
Mais tarde Carlos encontra-se com Bóris.
- Este Erllenmeyer é um figurão do ramo farmacêutico que tem uma doença desconhecida e está disposto a pagar uma grande soma em dinheiro e com vantagens para você, correto?
- Sim.
- Então por que está preocupado?
- Não gosto da proporção que isto está tomando; não tenhs nenhuma explicação científica para os seus poderes, tampouco religiosas, acho que em algum momento tudo isto vai virar um grande problema, não é como se você abrisse uma tenda e virasse curandeiro, a instituição pode ser prejudicada.
- Certo e o que quer fazer?
- Acho melhor acabarmos com a nossa relação comercial, mas se você puder responder por si mesmo, posso mandar alguns pacientes para você e assim, meu hospital não fica vinculado a nada disto.
- Se prefere assim, o mais importante para mim é que não falte grana.
- Certo então Bóris, vou mandar o Jorge falar com você, onde prefere recebê-lo?
- Aqui em casa mesmo, pode mandá-lo aqui.
Marcada a reunião:
- Deve ser o senhor Jorge.
- Sim e você o Bóris, o milagreiro, segundo o diretor Carlos.
- Sente-se senhor Jorge, há quanto tempo está com esta doença desconhecida?
- A cerca de 4 anos comecei a sentir os primeiros sintomas, mas acabei não me importando porque eram exporádicos, mas nas últimas semanas se tornaram constantes então fiquei preocupado.
- Do que exatamente estamos falando senhor Jorge.
- O que eu tenho não é físico Bóris, na verdade tive alguns ataques que qualificaram como psicóticos, mas a verdade é que eu vejo uma pessoa.
- Conhecida?
- Não.
-E o que ela faz?
- Me diz coisas, me manda fazer outras e as vezes adivinha coisas.
- Ela está com você agora?
- Sim.
- O que ela diz de mim?
- Que você não sabe o tamanho do poder que tem.
- Está entidade é masculina ou feminina?
- É uma mulher, quando a vi pela primeira vez parecia muito feia, agora está mais agradável a sua aparência, mas eventualmente volta a ficar feia.
- O que você quer?
- Que ela suma.
- Se ela adivinha coisas, parece ser uma grande vantagem.
- Há mais desvantagens, do que vantagens.
- Como assim, ela aprece do nada, fica dias sumida e normalmente aparece nos momentos mais inconvenientes e também costuma ficar muito tempo comigo quando aparece. Já acertei o preço com o Carlos, você pode ou não pode resolver isto para mim.
- Acho que sim.
Bóris pega nas mãos de Jorge e instantaneamente a mulher some.
- Tudo bem, senhor Jorge, ainda a vê?
- Não, você conseguiu e se ela voltar?
- Volte aqui e resolveremos.
- Obrigado Bóris, acho que finalmente encontrei a pessoa certa para o trabalho. – Diz isto e sai.
Bóris volta aos seus afazeres, depois liga para o Carlos diz que resolveu o problema de Jorge e logo está vendo televisão em sua casa. Quando ocorre algo inesperado:
- Virgilio Amarillo, pensei que não o veria tão cedo.
- Bóris, porque fez esta cura?
- Está falando Jorge.
- Sim.
- O Carlos me trouxe ele, só quis ajudar o velho.
- Com certeza o ajudou, mas não ajudou a si mesmo.
- O que quer dizer?
- Este tipode doença não se cura Bóris, ela é apenas transferida.
- Que quer dizer?
-Agora, esta mulher vai ficar com você por algum tempo, até você descobrir como transferi-la, além de tudo pode ser que tenhamos dificuldade de conversar por causa dela.
Virgílio vai ficando transparente até desparecer por completo e em seu lugar aparece uma mulher bonita como disse o senhor Jorge:
-Quem é você?
- Não tenho um nome, mas pode me dar um se quiser, isto vai facilitar a nossa comunicação.



Continua.

terça-feira, outubro 27, 2015

Amnésia IX

Capricórnio está vendo o vídeo, fica um pouco assustado e surpreso:
- Certo, vamos ver se consegui entender. Meu irmão foi assassinado, por alguém desconhecido, logo descobri que quem morreu foi um clone, até aí tudo bem, pois eu sou um clone, depois eu sou contratado por alguém para matar o meu próprio irmão, então tendo coragem para isto, atiro na minha cabeça, pedindo para o meu irmão me salvar, que ao que parece deu certo, pois eu sou o resultado do meu pedido, mas isto deixa mais perguntas do que respostas.
- Bom, agora você sabe como foi morto e porque, os detalhes que estão faltando são: quem o contratou e por que mandou matar seu irmão, além de por que você aceitou o trabalho.
- Eu ainda não sei o que eu fazia, mas pelo jeito era uma vida perigosa.
- Ser jornalista é perigoso sim, mas não sei se nesse nível.
- Evidentemente eu tinha uma profissão paralela. Sabe o que mais me intriga?
- O que?
- É que lá no jornal, me contaram uma história diferente para a minha morte.
- Diferente? - diz Sheila – Um pouco nervosa.
- Sim, me disseram que fui assaltado, que desarmei os assaltantes e que ao chamar a polícia para encerrar o assunto, fui baleado e roubado e pela minha narração da vida passada eu tirei a minha própria vida. Alguém teria que ser muito criterioso para criar uma história como essa para ser aceita como verdade de modo que a polícia abandonasse o caso.
- Tem razão Pandiá, o suicídio seria mais simples e a polícia também arquivaria o caso já que ficou bem claro quem foi o autor dos disparos.
- A partir de agora, não sei o que fazer, onde devo procurar o meu irmão, o galpão onde estávamos perece ser um local ermo e sem localização aparente, devíamos começar por lá, mas como saber onde é?
Pandiá olha pela janela e vê um movimento nas folhagens:
- Sheila, acho que não precisaremos encontrar ninguém.
- Por quê?
- Porque já nos encontraram.
LaBanca derruba a porta com o pé acompanhado de Epaminondas e diz:
- Desculpe o mau jeito Sheila, mas onde está o seu marido?
Sheila desconcertada o procura, mas Capricórnio foi mais rápido, ela responde:
- Onde o deixou da última vez LaBanca, no cemitério.
- Sabe Sheila, estou com pouca paciência hoje, ele apareceu lá no jornal, não foi mesmo Epaminondas, eu imagino que se eu morresse e ressuscitasse procuraria alguém conhecido como a minha esposa.
- Olha LaBanca não sei que tipo de droga você anda usando, mas eu...
LaBanca a pega pelo pescoço e diz:
- Capricórnio, acho que tenho uma coisa aqui que talvez você queira, apareça!
- Não faça isto, não se preocupe comigo. – Diz Sheila quase sufocando.
- Largue a moça LaBanca. Ela não tem nada com a nossa briga.
- Eu tinha certeza que o seu lado herói estava aí em algum lugar, mas não pense que salvou uma donzela em apuros, esta sua esposa não é tão santa quanto pensa.
- LaBanca não faça isto.
- Sheila eu perdi tudo porque confiei em você, não vou cometer o mesmo erro.
- O que está havendo – Diz Pandiá.
- Ah sim, você é daquelas pessoas que acha que as esposas contam tudo para seus maridos, é claro que não é o caso da Sheila, não é mesmo?
- LaBanca, deixe-me falar com ele.
- Claro adoro estas reuniões de família, você tem 5 minutos, tem algo para comer nesta casa. – Diz isto e se encaminha para a cozinha.
- Diga Sheila, o que é tudo isto?
- Bem, não fui totalmente sincera com você.
- Em relação a que? É tudo mentira: a pesquisa, a clonagem, sobre o que exatamente não falou a verdade, talvez o hipnólogo.
- Pandiá, quase tudo é verdade, depois que você descobriu sobre o projeto do seu irmão eu fui procurada pelo LaBanca, de início recusei a proposta dele, mas eu estava cansada desta vida de mulher de jornalista perseguido, sabia que a qualquer momento estaria viúva e sem dinheiro, então aceitei investigar você, passei todas as informações para eles em troca de dinheiro, eu sabia o dia que você iria morrer e até a forma que foi exatamente como foi contada para você pelo Epaminondas, mas aconteceu outra coisa, você foi encontrado com um tiro na cabeça e a história precisou ser refeita, segundo o LaBanca eu não havia ajudado em nada, o plano tinha ido por água abaixo então eu não merecia mais o dinheiro prometido.
- Mas esta história não se encaixa, quem me contratou para matar o meu irmão?
- Esta é a parte que eu não sei, fiquei surpresa quando ouvi você contar aquela história no hipnólogo.
- Sheila pode deixar que eu assumo daqui – diz LaBanca - senhor Pandiá você também sabia que não tinha futuro como jornalista, nós pesquisamos você, tinha treinamento militar sabia algumas artes marciais e trabalhava de jornalista, era um desperdício, então o Epaminondas me ligou disse que tinha o cara perfeito para resolver nossos pequenos problemas e você trabalhou para nós durante muito tempo cobrando de quem não pagava e matando quem era necessário ser morto, o teste para você entrar foi o tal assalto, quando você desarmou três pessoas usando apenas as suas mãos, sabíamos que tínhamos o nosso homem. Acontece que seu irmão fez uma grande descoberta e você precisava matá-lo para conseguir as suas pesquisas, não sei como seu irmão escapou e você apareceu morto, daí a minha curiosidade, como você renasceu, alguém do vodu o ressuscitou?
Neste momento um projétil entra na cabeça de LaBanca, Epaminondas corre desesperado e é alvejado com várias tiros ao sair para fora da casa. A casa estava cercada pela Polícia Federal.
- Senhor Pandiá?
- Sim.
- Eu sou o agente Milho
- Milho?
- Sim, Gustavo Milho, senhor, é uma honra finalmente conhecê-lo.
Depois:
- Como souberam que eles estavam aqui, agente Milho?
- O seu irmão Francisco.
- Onde ele está?
- Está vindo para cá. Ele escapou da morte várias vezes, mas ele tinha um localizador em você, sabíamos que a sua suposta ressurreição abalaria os bandidos que perseguiam o seu irmão, então quando você retornou passamos a monitorá-lo.
- Por que não apareceram quando metralharam a minha casa.
- Bom neste dia eu estava de folga e o agente Nelson teve dificuldades para lidar com a situação, quando chamou reforço, você já havia dominado a situação e o nosso objetivo maior sempre foi o LaBanca.
Francisco chega:
- Você deve ser o meu irmão Pandiá.
- Sim. Preciso te fazer umas perguntas.
- Tenho certeza que sim.
- A sua pesquisa está salva?
- Sim. Foi repassada aos cientistas do governo, achei melhor não guardar para mim.
- Confia neles?
- Como confio em um gambá esquizofrênico, também mandei cópias para todos os meus amigos cientistas do mundo, esta patente não será exclusiva.
- Quem era o LaBanca?
- Ele tinha sido contratado para roubar a pesquisa da clonagem e entregá-la a uma indústria que teria o monopólio da pesquisa.
- Eles não precisavam matá-lo.
- Era uma situação com reféns, ninguém queria lidar com processos ou papelada.
- Eu sou realmente um clone?
- Sim.
- Porque fez isto?
- Porque você me pediu além de tudo era a prova que eu precisava.
- Mas você já havia feito um clone seu.
- Mas estava morto, além de tudo preciso saber quanto tempo você pode durar e gostei muito do sacrifício que fez por mim, não poderia deixá-lo morto.
- E agora?
- Não entendi a pergunta.
- O que vou fazer, minha esposa é uma traidora, eu nem sou um homem de verdade, nem sei que tipo de emprego posso ter.
- Que tal se você fosse o meu guarda-costas eu soube que você tem treinamento militar e sabe artes marciais.
Ambos riem muito.
FIM.

segunda-feira, setembro 14, 2015

Poder de Cura II

- Então Senhor Amarillo, nem sei por onde começar, como consigo ver você, você está morto não está?
- Tenho muita coisa para te dizer, digamos que esteja certo quando diz que sou seu amigo imaginário é mais fácil do que dizer como consigo me comunicar com você.
- Mas então tente.
- Todos nós temos o que podemos chamar de antena, ou seja, uma ligação com o mundo espiritual, antes de morrer ativei a sua antena, por isto estamos nos comunicando.
- Certo, então por que eu, poderia ser qualquer outro, não é?
- Na verdade Bóris, não poderia, eu vi a sua aura, sei que você é a pessoa certa, vai entender, quando chegar a sua hora.
- A minha hora de que?
- De desencarnar, pois terá que passar pelo mesmo processo que passei.
- Deixe-me ver se entendi, você me passou um poder de cura.
- Sim.
- E quando eu estiver próximo da morte vou saber porque terei que encontrar alguém para ficar no meu lugar.
- Correto.
- Como sabe disto, como recebeu este poder?
- Olha Bóris, eu o recebi quando estava caminhando no meio de Santiago, alguém esbarrou em mim e disse que finalmente havia me encontrado e então poderia descansar em paz.
- Quem era ele?
- Eu tive muita dificuldade para descobrir, mas ele era um turco chamado Mohamed Assad, soube muito pouco dele, apenas que tinha poder de cura e depois de muito tempo descobri que também tinha, pois percebi que não havia mais adoecido depois do contato e que todas as pessoas que se sentiam indisposta, gripadas e com doenças de todas as formas eram curadas por mim ao simples toque, de início achei que fosse coincidência, mas depois do vigésimo curado, passei a acreditar.
- Ele conversou com você, como você está conversando comigo.
- Não, não foi necessário, entendi muito rápido o que deveria fazer, virei um curandeiro e ajudei centenas de milhares de pessoas.
- Mas por que então está conversando comigo.
- Porque eu sei o que está se passando com você, nunca teve uma oportunidade na vida, acha que foi um acidente o seu nascimento, cometeu vários crimes, sempre em busca de riqueza e conforto, acredite isto precisa mudar se quiser manter o dom, se usá-lo de forma errada ele se voltará contra você e talvez se perca para sempre.
- O que está dizendo, que não saberei usar o meu dom?
- O dom não é seu Bóris, é uma dádiva passada de geração a geração, vou ficar com você até que aprenda a usá-lo e então o deixarei para tomar suas próprias decisões, mas não estarei contigo o tempo todo venho te visitar de tempos em tempos para saber como está.
- Tudo bem, o que devo fazer agora, abrir uma tenda.
- Onde acha que deve ir? Onde estão os doentes?
- Nos hospitais.
- Sim, pode começar por aí, esta semana voltaremos a conversar.
Logo, o telefone toca:
- Oi Jamil.
- E aí Bóris.
- Você não tem ideia do que conversei com o Virgílio.
Depois na casa de Jamil:
- Então, o que vai fazer, vai virar um curandeiro, abrindo uma tenda e saindo por aí cobrando das pessoas que estão doentes.
- Eu não sei, mas não seria uma má ideia.
- Sério que está pensando nisto.
- Sei o que estou fazendo.
Bóris tem uma ideia interessante, vai até o hospital da cidade e conversa com o diretor:
- Senhor Bóris, o senhor é médico?
- Não.
- Tem curso de enfermagem, patologia clínica ou algo laboratorial.
- Não.
- Por que o senhor acha que seria útil a um hospital.
- É mais fácil mostrar do que falar, me leve ao seu pior paciente, o de pior estado no hospital.
- Senhor, desculpe meu ceticismo, mas o que acha que pode fazer por ele.
- Como é mesmo o seu nome senhor diretor?
- ´Carlos Ruiz.
- Senhor Carlos o que você verá hoje, mudará a sua compreensão de vida. O que o senhor tem a perder.
Na UTI do hospital:
- Este paciente tem câncer de cérebro, já houve falência do rim e seu cérebro é uma grande gelatina tem poucas horas de vida, a sua família é muita rica, já recomendei desligarem os aparelhos, mas não aceitaram e disseram que se o fizéssemos fechariam o hospital.
- Vamos fazer o seguinte, quando eu disser, você vai desligar os aparelhos, garanto a você que ele vai sobreviver.
- E se não der certo?
- Quanto tempo ele tem sem os aparelhos?
- 3 no máximo 4 minutos.
- Antes disto eu darei o sinal para ligarem de novo se não der certo.
E assim foi feito, Bóris pegou na mão do paciente, fez o sinal para o médico, os aparelhos foram desligados; o paciente sentiu uma energia subindo por sua mão e a percorrer o seu corpo todo e logo se levantou, perguntando quanto tempo havia dormido. Todos ficaram estarrecidos e o hospital ficou sabendo do curandeiro em poucos minutos. Após vários exames, perceberam que não havia mais câncer no cérebro que o rim havia se recuperado e que tudo estava em ordem com o paciente e que na verdade poderiam até lhe dar alta naquele mesmo momento. Logo depois no escritório do diretor:
- Como fez aquilo senhor Bóris, este paciente está com a gente há muitos anos e você só o tocou e ele ficou bom.
- Olha Carlos, já disse tinha que mostrar porque se eu contasse você não iria acreditar.
- O que me leva a grande pergunta, por que veio aqui senhor Bóris.
- Eu quero um emprego.
- Um emprego, mas como vou empregá-lo, não tem nenhuma credencial para medicina.
- Já viu o que posso fazer, dê um jeito de me aceitarem e prometo a vocês que seu hospital será o mais famoso do mundo.
Os olhos do diretor brilharam e ele prometeu pensar no assunto:
- Não demore muito, posso ir para outro hospital.
Carlos pensa muito no assunto, conversa com amigos, com a diretoria e até com religiosos a respeito do curandeiro, ouve as opiniões das mais diversas e resolve aceitar a proposta de Bóris.

Continua.

quarta-feira, agosto 19, 2015

Mephisto II



Na clínica:
- Dr. Marcelo, não precisava vir tão cedo.
- Eu sei que não Dr. Bruno, mas eu quase não consegui dormir por causa das revelações do bar; ele está aí?
- Sim está.
Dr. Bruno está olhando para o monitor na sua sala que tem uma câmara de segurança que dá direto para o quarto de Mephisto, enquanto olha para o paciente vai dizendo:
- Sabe o que é interessante Dr. Marcelo?
- O quê?
- Ele disse que tem um equivalente, mandamos investigar, quero dizer, eu tenho um amigo na polícia federal, sabe, e localizaram as suas digitais, o sujeito que é dono das digitais mora no interior do Paraná e sabe do que mais, ele tem apenas 20 anos.
- Mas este homem tem pelo menos 40, e como pode ele estar no interior do Paraná, ele está aqui, estamos olhando para ele.
Neste momento Mephisto se levanta da cadeira e desaparece depois de 2 passos, deixando os doutores perplexos, eles correm desenfreadamente pelos corredores da clínica para o quarto de Mephisto e depois de uma procura minuciosa, inclusive imaginando que o sujeito poderia estar invisível, concluem que Mephisto desapareceu:
- Qual era o nome dele Dr. Bruno?
- Se lhe dissesse, você não acreditaria.
Mephisto acorda dentro de um carro com a sua esposa dirigindo:
- Ei, finalmente, “belo adormecido”.
- O que aconteceu?
- Você pegou no sono.
- Tive um sonho estranho.
- É. “sonho”.
- Você está estranha. Onde estamos indo?
- Visitar a minha irmã.
- Sim, a Soraia. Desculpe, mas só pra confirmar, você é a Jéssica não é?
A esposa olha para ele, descrente:
- Ainda acha que eu estou estranha, não se lembra do nome da sua mulher?
- Se eu te disser que não me lembro do meu nome.
- Sim eu sou a Jéssica e você é o Mephisto.
- Não, não é possível, Mephisto não é um nome.
- É claro que não, é codinome, assim como Jéssica, nunca dizemos nossos nomes verdadeiros.Podemos estar sendo vigiados. Você não está muito bem não é?
- Me diga, o que nós somos?
- Viajantes do tempo.
- Tá brincando?
- É claro que eu estou brincando, somos pessoas comuns, na verdade não tão comuns assim, trabalhamos para a polícia federal e estes nomes são codinomes.
- A Soraia também está nessa?
- É claro, ela foi presa por isto e nós a visitamos para coletar informações.
- Jéssica, eu viajei no tempo e encontrei a Soraia com 15 anos.
- Sei, e quando isto aconteceu?
- No início desta viagem de carro, passei 4 dias no ano de 1995.
- Você só pode estar doente. – pausa - mas agora que mencionou, quando mostrei uma foto sua para a Soraia, ela disse ter certeza que já havia visto você, exatamente como na foto em 1995. Ela disse que é uma coisa difícil de esquecer.
- Sim, porque eu a encontrei numa praça, logo depois de ter entrado neste carro para visitá-la.
Eles chegam ao presídio:
- Soraia, já conhece o Mephisto.
- É claro, você é o sujeito que apareceu para mim a cerca de 20 anos, como conseguiu viajar no tempo?
- Eu não sei, talvez você possa me dizer.
Neste momento tudo fica congelado, as pessoas estão paralisadas o relógio está parado, somente Mephisto e Soraia conseguem se mexer:
- Mephisto, é assim que você é conhecido não é?
- Sim. O que aconteceu?
- Você provocou um problema no espaço tempo.
- Como?
- A partir do momento que você apareceu em 1995, você mudou a vida de dois médicos, o Dr. Bruno e o Dr. Marcelo, você precisa consertar isto, porque senão, nós teremos um problema muito sério em 2015.
- Do que está falando?
- O Dr, Bruno curou um sujeito no ano 2003 de uma doença mental, ele descobriu um psicotrópico capaz de evitar alucinações e este homem virou Secretário Geral da ONU, por causa de sua interferência o interesse do Dr. Bruno mudou e ele passou a se dedicar em descobrir como funciona a viagem no tempo, tem que voltar e consertar isto, porque senão, se instaurará uma guerra nuclear na metade 2015, porque o secretário não irá se curar e não poderá negociar a paz entre as grandes nações, estaremos condenados.
- Soraia como você sabe tanto do futuro?
- Porque eu sou uma agente do tempo.
- Se você é uma agente do tempo porque não conserta isto?
- Você não entendeu, eu não posso consertar nada, somente o causador do dano tem poderes para evitar que ele fique maior ou para anulá-lo, posso apenas ciceroneá-lo.
- Então pode me dizer uma coisa?
- Sim.
- Como eu me chamo?
- Albert Einstein.
- Tá brincando?
- Não, Mephisto, você é uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade, não poderíamos deixá-lo morrer.
- O que você fizeram?
- É chamada, engenharia genética de dados, baixamos a sua personalidade para o hospedeiro há anos você recebe todas as memórias dos hospedeiros e suas memórias anteriores são apagadas, então mantemos a sua inteligência e a usamos para monitorar o tempo, mas sempre ocorre danos colaterais como lapso de memória, distúrbio de personalidade, mas você nos ajudou a criar a rede de vigilância temporal.
- E o nome Mephisto?
-Tem sido o seu codinome há muito anos, você o escolheu, disse que tinha um significado especial, quem somos nós para questionar uma mente brilhante como a sua.
- Certo e o que deu errado, desta vez?
- Na última viagem que fez ocorreu um erro de logaritmo e você perdeu a capacidade de se lembrar da missão.
- Que era?
- Incentivar o Dr. Bruno a encontrar este psicotrópico.
- Então eu comprometi a missão.
- Sim e terá de desfazer o dano.
- Como?
- Desta vez não haverá erros, você vai voltar a 1995, evitar que o seu equivalente seja tratado pelo Dr. Bruno, deve deixá-lo com alguém que seja cético, deve fazer amizade com o Dr. Bruno e incentivá-lo a pesquisar o psicotrópico.
- E qaunto a você devo evitar o encontro?
- Não, foi por isto que entrei para a agência se evitar este encontro pode por tudo a perder, só estou falando com você por causa do encontro que tivemos.
- E qual o nome do remédio.
- Colinabinezol.
- Mais uma pergunta, como faz para o tempo parar assim.
- Senhor Einstein, isto foi criado pelo senhor, devia saber.
- Como eu viajo no tempo?
- Procure o senhor Guarabira lá na Delegacia da Federal, ele te dará as coordenadas.
Neste momento tudo volta ao normal e as pessoas voltam a se mexer:
- E então Soraia alguma novidade?
- Tá difícil de conseguir informações, mas acho que na próxima visita poderei ajudar mais, Jéssica.
Saindo do presídio:
- Mephisto você está com uma cara, aconteceu alguma coisa?
- Não, conhece alguém chamado Guarabira?
- Sim, é o diretor geral da PF.
- Você poderia me ajudar a falar com ele?
- Sim, o que você quer? Se demitir?
Mephisto olha com ar de indagação:
- Brincadeira, é que é muito estranho você quere falar com ele, não imagino que assunto tenha a tratar com ele, mas já que insiste.


Continua.

sexta-feira, julho 31, 2015

Xadrez dos Deuses IV

- Mas deixa eu te perguntar uma coisa, Javé.
- Pois, não.
- Por que tudo isto, qual o sentido da existência destas criaturas?
- Olha Mazda, na verdade, o negócio é bastante complexo, porque em cada um deles há um pedaço de mim, quando os criei, eu quis que fosse assim, porque o jogo da vida deles e o sentido de suas existências é a busca deste detalhe divino que, se encontrado, pode mudar a maneira que eles vêm a vida.
- Acha mesmo que isto era necessário?
- Na verdade a decisão é do criador, mas eu recomendo que o faça.
- Por quê?
- Assim você terá acesso a todos eles, entenderá suas angústias, seus sofrimentos e terá acesso a toda a sequência do crescimento individual deles.
- E isto não te deixa maluco, tantas vozes e informações assim na cabeça.
Movimento de Mazda BF8-C5:
- Ora, Mazda, às vezes você fala como se fosse uma de minhas criaturas, nossa capacidade é infinitamente superior, consigo equacionar todos os pensamentos dos indivíduos que criei, você também conseguirá e acredite ainda vai sobrar espaço nesta cachola.
Movimento de Javé BF1-C4.
- É claro que eu já sabia disto, na verdade só fiquei preocupado que isto atrapalhasse os meus afazeres.
- Por isto eu recomendo o livre arbítrio, porque se tiver que tomar decisões por eles aí será uma dificuldade imensa, mas é interessante ressaltar que se você seguir o meu projeto pode ser que ele funcione e se funcionar e todos encontrarem você dentro deles mesmos pode ocorrer o que você temia, todos ficarem dependentes de suas decisões.
- E aí o que eu posso fazer?
- Aí é que vem a grande jogada.
- Não está falando do jogo, não é? Porque é a minha vez.
- Não, eu sei que é a sua vez estou falando que se este, vamos chamar de “milagre” – utiliza os dedos indicador e médio de cada mão para simular aspas – acontecer você tem uma prerrogativa .
- E qual seria?
- A de acionar o piloto automático, ou seja, uma vez que todos estão agindo da forma que deveriam, não há o que ser mudado ou cuidado, seria apenas uma questão de gerenciamento, pois todos agindo de maneira bondosa, as energias se completariam de forma que a sua atuação seria quase que desnecessáriae assim você esuas criaturas atingiriam o estágio final e estaria pronto para a próxima etapa.
Movimento de Mazda, CG8 – F6
- Você conseguiu isto?
- Bela Jogada Mazda. Não, eu não consegui ainda, um dos problemas do livre arbítrio, alguns não acreditam em mim e lideram outros para o mesmo caminho.
- É tão difícil entender porque você não se revela a eles.
- Tenho dois motivos para isto, eu sou a fonte, eles que devem me procurar, é a regra do conhecimento, eles devem vir atrás do conhecimento e como disse antes, eu estou com eles, bastam que eles queiram, se eles não quisesem e eu me revelasse, eu estaria interferindo no livre arbítrio, a outra razão é, eu já tentei me revelar a alguns deles.
- E aí?
Movimento de Javé CB1-C3.
- Aconteceram coisas que eu não previa, como a adoração do profeta que tinha me visto e conversado comigo e o internamento de alguns onde diziam que estavam esquizofrênicos, uma maneira que arrumaram para explicar pessoas que são capazes de ver coisas que outras não podem ver.
- Devo imaginar que esta doença não existe e que isto os ajuda a dormir a noite em vez de aceitar que isto pode ser a verdade.
- Não exatamente, a doença existe, mas em determinados casos são apenas pessoas que têm capacidade de enxergar entidades que outras não podem, por causa do seu desenvolvimento espiritual superior; como a doença se encaixa nesta capacidade, eles preferem achar que é disto que se trata.
Movimento de Mazda CB8-C6.
- Olha Javé este plano parece muito minucioso e deorado, às vezes tenho vontade de desistir.
- Mazda, quanto a demora, você sabe, o tempo nada significa. Devo ser sincero, também já tive vontade de desistir, se há um bom momento para isto é agora, porque depois da criação é muito mais difícil, já dizimei quase todos eles uma vez, deixei uns poucos que ainda achei que valiam a pena, mas hoje não penso mais nisto, acho que foi uma precipitação da minha parte.
Movimento de Javé PD2-D3.
Um sujeito está passando por ali, para, olha bem e diz:
- Você é o Javé.
- Sou sim, nos conhecemos?
- Se nos conhecemos, já conversamos tantas vezes que não teria como não reconhecê-lo.
- Claro, você é o Dartagnan.
- Sou eu mesmo?
- Dartagnan este aqui é o Ahura Mazda.
- Como vai senhor Mazda?
- Vou bem, prazer em conhecê-lo.
- Você é o pai do Zaratustra, correto?
- Vejo que minha reputação me precede.
- Javé, não sabe como estou feliz em encontrá-lo. Tem algum recado para os infiéis.
- Não desta vez Dartagnan, estou apenas jogando xadrez com um grande amigo.
- Certo, eu tenho que ir, como deve saber tenho alguns compromissos.
- É claro que sei, afinal eu sou o seu Deus.
- Com certeza, se precisar não hesite em me chamar.
- Sei que posso contar com você Dartagnan, estarei sempre com você.
- Quem é este Dartagnan?
- Lembra-se que falei dos profetas, este é um deles. Teve muitas dificuldades, primeiro para aceitar que era eu quem falava com ele, depois para lidar com a sociedade descrente, mas ele é um bom rapaz, quis ajudá-lo a se manter firme em sua fé, vi o seu potencial e como estava se perdendo com as tentações do mundo, hoje perambula por aí praticamente sem morada, mas garanto a você que poucas pessoas neste mundo são tão felizes como ele.


Continua

quarta-feira, julho 01, 2015

Voo 3756

Ele estava no aeroporto para pegar o voo 3756, na companhia de sua mulher; objetivavam passar as férias em Fortaleza, já durante o check in, descobriram que houve uma confusão e o número da poltrona da sua esposa havia sido trocado, ao menos foi isto o que acharam que tivesse ocorrido:
- Senhor Silva tente entender.
- Entender o quê? - Gritando a plenos pulmões – Que esta empresa é uma espelunca, nós compramos as passagens com muita antecedência, acabamos de fazer o check-in e você está me dizendo que aquela máquina que acabou de emitir os bilhetes está maluca? Que a minha mulher não poderá embarcar comigo nas férias que planejamos? Nunca vi uma loucura como esta, além de tudo a droga do voo foi transferido, me diga como você quer que eu entenda?
- Então senhor Silva, para começar o senhor não comprou estas passagens.
- Como não comprei, é evidente que eu comprei.
- No meu computador está dizendo que o senhor ganhou um concurso de uma marca de margarina com acompanhante.
- Sim, mas...- já baixando o tom de voz gradativamente – ... é a mesma coisa, não é?
- Vamos fazer o seguinte, o senhor vai neste voo e resolveremos o problema da sua esposa em breve.
- Em breve? O que isto quer dizer, ela não vai? Vou só eu?
- Sim. Até no máximo amanhã o mal entendido será resolvido.
Ainda constrangido com a revelação do atendente ele se despede da esposa e diz:
- Pobre é uma desgraça mesmo, um dia meu amor, eu vou poder comprar nossas próprias passagens.
- É claro que vai meu amor, tenho certeza disto.
A esposa de Silva vai para casa esperar a resolução do problema enquanto Silva fica no aeroporto buscando o que fazer para passar o tempo:
- Barra né, amigo?
- Barra o quê? Te conheço?
- Não, você não me conhece, eu sou o Januário.
- Prazer Januário, Raimundo Silva.
-Estava dizendo que é barra aguardar 5 horas no aeroporto por um voo que já devia estar a caminho de Fortaleza.
- Voo 3756?
- Isto mesmo, agora é ter criatividade para não ficar maluco enquanto esperamos, quis economizar olha o que deu.
- Comigo foi diferente, o tal concurso de margarina é que escolheu a empresa.
- Entendo, mas o que houve com você?
- Fiz o check in ...
- Naquela primeira máquina? – aponta Januário.
- Foi, como sabe?
- Eu também fiz lá.
- Certo. – Silva percebe que o bilhete emitido na mão de Januário é o mesmo número da poltrona de sua esposa – Como disse que se chamava?
- Januário.
- Januário o seu número de poltrona é o mesmo que o da minha mulher, como a máquina pode ter emitido o mesmo número de poltrona para você e para a minha mulher?
- Não tenho a menor ideia, a única coisa que sei é que o voo foi transferido.
- Entendi, Januário será que tem alguma forma de resolvermos isto e você me ceder esta passagem?
- Ta falando do que? De dinheiro?
- Não exatamente, na verdade se eu tivesse dinheiro, não estaria nesta enrascada.
- E do que está falando então, lembre-se que as passagens têm os nomes das pessoas, por ela ser mulher ia ser bem difícil de ser identificada.
- Na verdade o bilhete dela diz o mesmo núnero de poltrona, mas infelizmente acabei rasgando ele de raiva.
- É o jeito é esperar, o que você faz para viver?
- Sou dono de uma oficina.
- Quantos funcionários você tem?
- Funcionários? Não, sou só eu mesmo.
- Exército de um homem só?
- Literalmente, curte Engenheiros...?
- Que engenheiros?
- A música “Exército de um homem só” é do Engenheiros do Havaí..
- Na verdade estava citando o livro.
- Livro?
- Sim, aquele do Moacir Scliar.
- Não conheço, não sabia que existia um livro sob este título
- E eu não sabia que existia a música.
- E você trabalha no que?
- Eu sou representante.
- O que você representa? - Uma marca de iogurte.
- Nossa sempre quis trabalhar para uma fábrica de iogurte.
- É mesmo, estamos precisando de representantes.
- Mas infelizmente, sou um péssimo vendedor. O que acha de caminharmos um pouco pelo aeroporto.
- Será, cara? - Não vai querer ficar 5 horas sentado neste banco, né.
- Tem razão, caminhar vai me fazer bem e aonde vamos?


/Continua

quinta-feira, junho 25, 2015

Amnésia VIII

- Tá me dizendo que sou um tipo de protótipo?
- Sim, na verdade você seria o primeiro de muitos, mas acabou sendo o único.
- Tem certeza disto?
- Tenho sim, com o Francisco morto a sua pesquisa está perdida.
- Será que ele não me disse onde colocou as suas anotações.
- Irrelevante, você não é o Pandiá, não teria como lembrar.
- Mas podíamos tentar.
- O que tem em mente?
- Conhece algum hipnólogo?
- Sim, acredita nisto?
- Não, mas é a melhor chance que temos.
- Tudo bem, não temos nada a perder, mas é importante ressaltar que mesmo que achemos as anotações do Francisco a linguagem é científica, não sei se poderemos dar continuidade ao seu trabalho.
- Nos preocuparemos com isto quando tivermos as anotações.
Andando pelas ruas de Curitiba encontramos nossos amigos diante de uma placa preocupante:
- “Vidas passadas, memórias trancadas, abduções, neuroses e tudo o que sua mente tem feito para te escravizar pode ser resolvido por mim, Lécito Penópolis – sem reembolso.”
- É aqui.
- Lécito Penópolis, o cara é grego?
- Sei lá, só sei que ele é hipnólogo.
Na sala de Lécito.
- Que história mas confusa, tem certeza que me contaram tudo?
- Claro, queremos que nos ajude senhor Lécito.
- Não sei se posso, se o que me disse é verdade a memória dele não irá alcançar além daquele dia em Rondônia.
- Mas o ponto é a vida passada, no caso dele a sua vida passada é o Pandiá.
- Tem razão, não tinha pensado nisso, vamos lá.
Lécito coloca Capricórnio em posição, faz ele dormir e dá as seguintes ordens:
- Capricórnio retorno 10 anos, onde você está?
- Com a minha esposa Sheila.
- Em casa?
- Sim, estamos vendo uma comédia na TV, é muito engraçado – começa a rir desontroladamente.
- Capricórnio ande pelo tempo e encontre o seu irmão Francisco.
- Ele está conosco na Sala.
- Certo, se fixe nele e tente lembrar quando conversaram sobre o trabalho dele.
- Sim, estamos falando sobre isto, ele diz que conseguiu fazer algo que vai mudar a história da humanidade, mas não quer me dizer do que se trata.
- Tente insistir e lembrar quando conversaram sobre a sua pesquisa.
- Conversamos sobre isto há um ano atrás, ele disse que não pode me fornecer detalhes técnicos porque eu não entenderia.
- Ele disse se tem isto guardado em algum lugar?
- Disse que está no lugar mais seguro do mundo, a sua cabeça, nâããããããoooooooooooooo.
- Capricórnio o que está acontecendo.
- Não, maldito, não faça isto, ele é meu irmão, canalha, malçdito.
- Capricórnio concentre-se na minha voz, o que está acontecendo.
- Alguém nos abordou na rua e atirou no Francisco ele está nos meu braços sangrando muito, está me dizendo que tem uma pessoa que pode continuar a pesquisa e que poderia encontrá-la no galpão da sua casa, ele morreu.
- Capricórnio, ta tudo bem, podemos continuar?
- Sim.
- Vá até o galpão e encontre esta pessoa.
- Consegui encontrei-a, Francisco? Você está morto!
Na sala de Lécito a Sheila olha assustada para o hipnólogo:
- Capricórnio, quem morreu?
- O Francisco.
- Com quem você está no galpão?
- Com o Francisco.
- Qual deles é seu irmão?
- Os dois.
- O que está acontecendo? – pergunta Sheila.
Capricórnio está tremendo.
- Está me dizendo que tem 2 Franciscos.
- Sim.
- Pode me explicar como isto é possível.
- O Francisco está me dizendo que fez um clone de si mesmo e que quem morreu nos meus braços foi o clone dele e que a pesquisa está a salvo.
- Podemos continuar?
- Sim, vá até o dia da sua morte.
- Sim estou aqui.
- O que está havendo?
- Alguém está no laboratório do meu irmão Francisco.
- Quem está lá?
- Sou eu.
- Como assim.
- Meu irmão me perguntou como eu tinha ido parar lá e eu respondi que não poderia deixá-lo naquela situação.
- Que situação?
- Eu fui contratado para matá-lo e roubar a sua pesquisa, chego a apontar a arma para a sua cabeça, mas digo para ele me salvar e dou um tiro na minha fronte e tudo fica escuro.
- Capricórnio onde você está?
- Estou no escuro, uma pessoa vestida de branco vem em minha direção me coloca num veículo e me leva até Rondônia na Pensão Sardinha e me deixa lá para que eu acorde na minha nova vida.
- Como é o veículo?
- É feito de nuvens ele coloca um aparelho na minha cabeça diz que é um instrumento que me fará esquecer da minha vida passada.
- Capricórnio quando eu contar até três você vai retornar para nós, um, vem retornando, 2 está mais perto, 3, despertar.
Capricórnio acorda:
- E aí deu certo?
- Você não tem idéia.


Continua.

sábado, maio 23, 2015

Poder de Cura

Bóris era um boêmio, procrastinado, desempregado, revoltado, alcoólatra e com pouquíssimos amigos, sua vida era bastante comum, já havia cometido alguns delitos, mas quase ninguém sabia disto; sua vida começou a mudar em uma manhã que foi muito diferente das que estava acostumado.
- Bóris, você não pode estar falando sério, esta história é uma loucura, não faz nenhum sentido.
- Eu estou te falando Jamil, aconteceu exatamente do jeito que te contei.
- Tudo bem, vamos supor que seja verdade, como você acha que isto ocorreu?
- Eu não sei, mas garanto que aconteceu.
- Certo, vamos lá, me conte de novo o que aconteceu?
- Esta manhã eu acordei, levantei com a cabeça estourando de dor, nenhuma novidade, afinal isto aconteceu muitas vezes comigo, era a dor da ressaca....
- Certo e aí?
- ...então eu coloquei a mão na minha cabeça e a dor desapareceu, neste mesmo momento eu senti uma dor forte no estômago que também era bastante comum ocorrer comigo, aí eu coloquei a mão no meu estômago e a dor sumiu também.
- Será que não é coincidência?
- Coincidência? Acho que não, estas dores me acompanham há anos e somente hoje isto mudou.
- Mas que outra explicação existe, você lembra de alguma coisa quetenha ocorrido ontem?
- Agora que falou; eu me lembrei de ter encontrado um senhor idoso e barbudo que me tocou e disse a seguinte frase: “Receba o dom que lhe dou e use-o com sabedoria”, depois disso sumiu em uma esquina.
- Entendi, este senhor por acaso não é este aqui. – Diz isto mostrando um jornal cuja manchete principal é: “Morre Virgílio de Amarillo aos 85 anos.”
- Incrível, como você sabia? É ele!
- Não sei, apenas palpite.
- Quem é Virgílio de Amarillo?
- Ele é chileno, veio para o Brasil há cerca de 45 anos e desde então tem curado pessoas.
- Curado pessoas, que tipo de cura?
- Todos os tipos.
- Será que ele passou este poder para mim?
- Por que acha isso?
- É a única explicação plausível, vamos fazer um teste.
- Que tipode teste?
- Você sente alguma dor?
- Sim, eu tenho uma dor crônica nas costas.
- Vamos lá, posso tocar nas suas costas?
- Pode.
No mesmo instante em que Bóris tocou Jamil, sua dor passou: - Meu senhor amado, como é possível, eu não tenho mais nenhuma dor, eu a tenho desde de os quinze anos.
- Acho que está provado, eu tenho poder de cura. Mas e o Virgílio de Amarillo, quando ele morreu?
- Ontem, o jornal diz que ele morreu de morte natural.
- Certo, Jamil, acho que o meu problema está ficando maior.
- Por quê Bóris?
- Virgílio de Amarillo está aqui.
- Onde?
- Na minha frente, você não está vendo ele, está?
- Não, não estou.
Virgílio toma a palavra:
- Bóris, é melhor conversarmos em outro lugar, não é muito bom conversar com pessoas que outras pessoas não podem ver.
- Bem colocado senhor Virgílio. Jamil tenho que conversar com o meu amigo imaginário.
- Vai lá e me mantenha informado.

Continua.

sexta-feira, abril 10, 2015

Piadas em Série.

Guilherme recebe uma carta ao chegar em casa, estranhou, pois não havia remetente, mesmo assim, não teve nenhum receio de abri-la. Um leve sorriso toma conta de sua face ao perceber que se trata de uma piada.
“O professor diz aos alunos:
-Ninguém tem tudo e eu vou provar para vocês. Pedrinho, o seu pai tem um carro?
- Sim. - diz o garoto.
- Mas o seu pai tem um avião?
- Não professor.
O professor continua:
- Juquinha e o seu pai tem um avião?
- Tem sim, professor.
- Mas o seu pai tem um iate?
- Não tem não professor.
Neste momento Joãozinho se levanta e diz:
- O meu pai tem tudo professor.
- Como assim Joãozinho?
- Um dia a minha irmão chegou em casa e disse: - Pai este aqui é o meu namorado. - O cara tinha um piercing na língua, usava uma camisa rasgada uma calça de couro, penteado punk, se dizendo ateu e contra o sistema capitalista. Aí o meu pai disse: - Era só o que me faltava.”

- Quem será que me escreveu isto. - pensa consigo. À noite, no bar, Guilherme mostra a carta a Soares, seu colega de bar:
- Então você tem um admirador piadista.
- Não sei o que pensar.
-Recebeu alguma carta anterior?
- Não é apenas a primeira, mas tenho a impressão que não será a última.
- Por que pensa assim?
- É porque não faz sentido, duvido que o objetivo desta pessoa seja apenas me divertir.
No outro dia:
- Guilherme, já disse para não trazer mulheres aqui na pensão. – Diz Dona Filomena que é a dona do estabelecimento.
- Mulheres, do que está falando?
- Uma mulher loira esteve aqui hoje à tarde e disse para lhe entregar esta carta, faz favor de não deixar isto acontecer de novo.
- Uma loira? Como ela era?
- Sei lá, 1,70, cabelos longos e lisos, maquiagem pesada e vestida com uma blusa amarela e um shorts branco.
Guilherme treme e quase desmaia:
- Senhor Guilherme, tudo bem?
- Sim é que na verdade você acabou de descrever a minha mulher morta.
Filomena faz o sinal da cruz e larga a carta no chão, quando está ao final do corredor, grita:
- Deixe os seus mortos longe da minha pensão.
Guilherme abre a carta e se trata de mais uma piada:
“O diretor do hospício desenha uma porta no muro com maçaneta e tudo e diz para os internos que quem conseguir passar pela porta estaria livre, esta solução foi pensada por haver pouco espaço para os internos, então quem percebesse que não era de fato uma porta seria liberado. Então após muitas tentativas dos internos e várias escoriações, o médico percebeu que um deles não havia tentado abrir a porta, então o diretor pensou este deve estar são, mandou que o chamassem e ao perguntar ao interno porque ele não havia tentado abrir a porta, o mesmo respondeu de maneira firme ao pé do ouvido do diretor, eles não vão conseguir abrir a porta, porque a chave está comigo.”
- Já é a segunda carta?
- É Soares, mas tem algo diferente desta vez.
- O que?
- A Dona Filomena, dona da pensão me deu uma descrição da pessoa que deixou a carta.
- Então o mistério está resolvido.
- Não exatamente.
-Como assim?
- Ela descreveu a minha mulher...que morreu há uns três meses.
- Nossa, esta história está cada vez melhor, agora tem até fantasma.
- Pois não é, rapaz, eu estou perplexo e morrendo de medo que ela apareça.
No terceiro dia, outra carta aparece por baixo da porta, Guilherme se ajeita na cama, levanta-se e percebe a carta perto da porta:
- Por quanto tempo isto irá acontecer?
“Um homem estava procurando alguma coisa embaixo de um poste de luz. Uma pessoa chega e pergunta:
- O senhor perdeu alguma coisa?
O homem que estava bêbado respondeu:
- Eu perdi as minhas chaves e estou procurando ela.
A pessoa perguntou:
- Mas você perdeu as chaves por aí?
O Bêbado responde:
- Não eu perdi lá na outra esquina.
- Então porque o senhor está procurando aí?
- É porque aqui tem luz.”

- Ao menos as piadas são engraçadas.
Guilherme sente um misto de apreensão e alegria, pois as piadas são boas, mas o que o preocupa é quem as escreve. No outro dia recebe nova carta:
“Amanhã você saberá quem sou? ‘Qual o cúmulo da rapidez? Trancar uma gaveta com a chave dentro.’”
Guilherme começa a andar pelo corredor da pensão e encontra Dona Filomena:
- Dona Filomena, a senhora viu quem pôs esta carta embaixo da minha porta?
- Acha que não tenho o que fazer?
- Dona Filomena, você me entregou uma destas cartas, por isto estou perguntando.
- Sim, a carta da morta.
- Exato, Você a viu de novo por aqui?
- Desta vez não Senhor Guilherme. Alguma pista dela?
- Bem, a carta diz que amanhã eu saberei quem manda as cartas.
No outro dia, o última carta chega:
“O meu nome, a metade você passa no pão, a outra metade você compra na concessionária.”
Desta vez não há resposta, depois de muito pensar e até fazer anagramas, gritou a plenos pulmões:
- Margareth.
A campainha toca e para surpresa de Gulherme quem está a porta é a sua mulher morta, chamada Margareth, Guilherme não resiste a emoção e desmaia. Depois de várias tentativas de reanimar Guilherme, Margareth finalmente consegue:
- AI, meu Deus, não foi um sonho. – Diz Guilherme se afastando de Margareth.
- Não Guilhereme, não foi sonho.
- Mas você morreu, eu fui ao seu enterro, como pode estar viva.
- Naquele dia ocorreu uma coisa inusitada, eu tinha parado no sinal e de repente uma moça me encostou uma arma na cabeça e roubou o meu carro, logo que ela arrancou, bateu o carro e capotou e o carro pegou fogo, por isto acharam que era eu, inclusive você.
- E por que você não me procurou depois disto?
- Além do susto que obviamente você levaria, a nossa vida não era tão boa assim né, senhor Guilherme.
- E o que tem feito nos últimos meses?
- Comédia de Stand-up, por isto mandei algumas piadas para você, acho que está funcionando, tenho feito espetáculos todos os dias.


FIM.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

LHB – Granamir

- José de Andrade Guimarães?.
- Sou eu, senhor.
- Aproxime-se – Pausa - Deixe me ver, você tem dezessete anos, nunca trabalhou, quer pleitear a vaga de Gerente Administrativo. Bem você sabe que esta vaga necessita experiência, conhecimento em administração, finanças, planilhas, balanço patrimonial, tendências de mercado e etc.
- Sei sim.
- E que para isto o senhor precisa de uma formação superior o que pela sua idade e currículo está claro que não tem.
José assente com a cabeça e o home diz:
- Próximo por favor, senhor Vitorino Gonçalves.
Vitorino se levanta, mas...
- Senhor me dê uma chance, deixe-me fazer um teste, o senhor não irá se arrepender.
Mesmo sem acreditar no garoto, ele resolve jogar aquele jogo:
- Apresente-se ao senhor Golias na sala 08, é o máximo que posso fazer por você. – Diz isto e chama o próximo.
Na sala 08:
- Senhor Golias.
- Sim. – Um homem com um charuto na boca, um uniforme cinza e com uma vassoura na mão – Posso ajudar?
- Eu sou José de Andrade Guimarães
- Veio se confessar, senhor Guimarães?
- Não senhor, por que a pergunta?
- É que poucas vezes sou procurado por um jovem, ainda mais dizendo o seu nome completo, achei que havia me confundido com um padre, sabe por causa do uniforme.
Guimarães tenta esboçar um sorriso com o humor prá lá de diferente de seu interlocutor:
- Na verdade o entrevistador me mandou procurá-lo.
- Sério, finalmente, então você será o meu substituto.
- Substituto, mas eu disse que queria o cargo de gerente.
Golias solta uma gostosa gargalhada e diz:
- Sabe senhor Guimarães eu também queria ser gerente quando cheguei aqui a cerca de 40 anos atrás, acho uma incrível coincidência que eu esteja passando pela mesma situação que passei há quarenta anos quando fui apresentado ao senhor Palmer, como pode ver não me tornei gerente, mas onde eu falhei, quem sabe, você triunfará.
- Desculpe senhor Golias, foi um mal entendido, eu preciso ir.
- Claro senhor Guimarães, quando quiser se confessar retorne, estarei aqui no mesmo lugar onde estou há quarenta anos.
Este flash de memória tem incomodado Granamir ultimamente, fica imaginando como seria sua vida se tivesse aceitado a proposta de Golias e não ido pelo caminho que escolheu, sua carreira de líder de conspirações iniciou cedo quando ainda tinha 20 anos ou seja, 3 anos mais tarde de sua tentativa de se enquadrar na vida normal:
- Zezinho?
- Tio Alberto, não esperava vê-lo hoje.
- Onde está a sua mãe.
- Trabalhando na casa da patroa lá nos bairros nobres.
- Tá a fim de ganhar uma grana.
- Quer que compre alguma coisa para você?
- Não exatamente, só quero que você faça uma entrega.
- Entrega? Por acaso são drogas?
- Bom, Zezinho, talvez eu devesse oferecer estes 400 dólares ao Sebastião, ele nunca pergunta que tipo de mercadoria ele vai entregar.
- 400 dólares?
- E o pagamento é adiantado.
- Demorou, onde eu preciso ir?
- Na estação Rodoviária na venda de passagens, combinei com o Furão na primeira empresa.
- Furão?
- Sim, é assim que deve chamá-lo, darei a sua descrição para ele, apenas confirme que é ele, não precisa ficar amigo dele tá.
- Por que não?
- Zezinho, ele é um cara perigoso.
- Eu tenho um tio que também é. – repondeu ele quase sussurrando.
Na Estação Rodoviária, Zezinho está a mais de meia hora plantado em frente a empresa Boa Viagem e ninguém aparece, quando de repente vê um furão em volta de seus pés:
- Puxa, tá aí uma coisa que não se vê todo dia.
Uma voz cavernosa e assustadora o interpela:
- Zezinho.
Ele responde assustado:
- Sim – ainda olhando para o furão.
- Não eu estou aqui em cima.
Uma mão toca o seu ombro:
- Senhor Furão.
- Sim, trouxe a encomenda?
- Trouxe está aqui na minha mão.
Passa a encomenda para ele, Furão olha para os lados e segue seu caminho, mas:
- Senhor Furão - grita o rapaz na rodoviária, chamando a atenção de todos.
Furão fica muito irritado e o chama para um café:
- Sabe menino, deve ser a sua primeira vez, então eu vou deixar passar, mas já matei pessoas por menos do que isto.
-O menino começa a tremer ao pegar a xícara, mas tenho certeza de que você pode me ajudar muito.
- Por que acha isso senhor Furão.
- Por que você tem cara de bom moço e na nossa profissão isto é uma vantagem.
- Na verdade eu quero uma vida diferente estou cansado de querer fazer a coisa certa há 3 anos venho tentando arrumar um emprego e até agora só consegui fazer esta entrega para o meu tio, acho que o senhor pode me ajudar a conseguir uma vida melhor.
- Uma vida melhor e mais perigosa, posso te dizer os primeiros passos.
- Estou ouvindo.
- Não se ligue à nada, pois se precisar fugir e se esconder não terá laços, se quiser ter família, esposa, filhos ou frequentar algum clube pode parar por aqui isto não é para pessoas como nós, digo que vale muito a pena, que você pode ter uma vida de rei, mas tudo pode acabar em um segundo, no nosso ramo não podemos confiar em ninguém alguém sempre pode te trair, sob tortura, por dinheiro ou deliberadamente, portanto a sua escolha deve ser feita agora, depois não conseguirá sair nem que você queira.
- Entendi senhorFfurão, eu quero entrar.
- Tudo bem, está na hora do treino.
O café é invadido por policiais que disparam uma rajada de balas na direção de Furão, ele levanta a mesa para se proteger e atira contra os policiais, Zezinho, tremia como nunca tremeu em sua vida.
- Garoto, quando eu disser agora, vou quebrar o vidro da janela e nós teremos que pular, entendeu.
- Entendi, mas será que eu não vou me quebrar.
- Quando cair role no chão assim amorteerá a sua queda e terá apenas arranhões. Agora.
Furão dá dois tiros nos vidros da janela e se joga pelo vidro e é seguido por seu novo parceiro ambos caem perto da entrada da rodoviária:
- Consegue andar? Pergunta Furão.
- Sim, foi exatamente como você disse, só tive alguns arranhões.
Ambos entram num furgão que segue em disparado pela rodovia que sai da rodoviária o policial olha pela janela e passa o rádio:
- Furgão preto sem placa seguindo pela rodovia principal, dois suspeitos armados e perigosos, favor abordar, mas com muito cuidado.
No meio do caminho o furgão se transforma em uma ambulância, mudando a cor, os faróis, as laterais e até as rodas. Os policiais que fizeram o cerco, não conseguem localizar o veículo, mas mesmo assim param a ambulância que após apresentar os documentos é liberada sem a vistoria. Zezinho com o coração acelerado diz:
- Obrigado senhor Furão, está foi por pouco.
- É assim todo dia, meu garoto, talvez você devesse escolher um codinome, ninguém vai se intimidar com o nome Zezinho.
- Tem alguma sugestão?
- Tem algum vilão ou herói de infância?
- Foi assim que escolheu o seu?
- Não, me chamo furão porque costumo não comparecer aos compromissos sou muito esquecido.
- Tenho um nome que gosto muito.
- E qual é?
- Granamir.
- Ótimo hoje morreu o Zezinho e nasceu o Granamir.


Continua

sexta-feira, novembro 07, 2014

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- Soraya, você fugiu da cadeia?
- Cadeia? Nunca estive na cadeia. Eu conheço você?
- Se você me conhece? Eu sou seu cunhado, se bem que você parece mais jovem.
- Obrigada, mas você não se parece nenhum pouco com o meu cunhado.
- Me diga uma coisa Soraya, em que ano estamos?
- Em que ano estamos?
- Isto é alguma brincadeira?
- Não é não, por favor me diga, em que anos estamos?
- 1995, por quê?
- Ai meu Deus, como eu vim parar aqui.
- Aqui onde? Você não era daqui?.................. ..................................................





MEPHISTO





- Há quanto tempo isto está acontecendo?
- Há cerca de duas semanas.
- Deixa ver se eu entendi. Está me dizendo que você é do futuro, do ano 2014, correto?
- Sim.
- E também está me dizendo que está aqui em 1995 há apenas duas semanas.
- Sim.
- Senhor Mephisto. Eu pronunciei corretamente?
- Sim mas não tenho certeza se este é o meu nome, ele só me parece familiar.
- Entendo, este é um caso novo para mim, mas acredito que o senhor tenha um distúrbio de personalidade, não sei ao certo se posso ajudá-lo, pois primeiro preciso saber qual é a personalidade dominante.
- O senhor não acredita em mim doutor Bruno, mas eu posso provar que vim do futuro.
- É mesmo? Como?
- Que dia é hoje?
- 17 de dezembro.
- Você pode ligar a TV.
- Senhor Mephisto, não estamos aqui para ver TV.
- Desculpe doutor, e se eu lhe disser que sei o que vai acontecer hoje na final entre Santos e Botafogo.
- Você, sabe?
- Sim, ligue a TV.
O doutor Bruno ainda relutante liga a TV tem uma falta para o Botafogo o jogo está perto dos 24 minutos:
- Doutor, Túlio vai fazer o gol do Botafogo em posição de impedimento, mas o gol vai ser validado.
O doutor ainda descrente presta atenção na jogada e ocorre exatamente como Mephisto havia previsto.
- Como sabia disto?
- Eu vim do futuro.
- Mas isto não prova nada.
- É claro que não. O botafogo será campeão, o gol de empate do Santos também será irregular e será validado e o único gol legítimo do jogo será invalidado e o pessoal do esporte vai discutir isto por anos e posso dizer todos os campeões do campeonato brasileiro até 2014. Se duvida espere até o final do jogo.

Dr. Bruno quer retornar para a sala para continuar a sessão, mas a curiosidade é mais forte e ao final do jogo com o Botafogo campeão e as previsões sacramentadas, começa a duvidar da lógica das coisas.

- Tudo bem, senhor Mephisto, vamos imaginar que esta sua história é verdadeira, como veio parar em 1995.
- Aí é que está, não tenho a menor ideia e esperava que pudesse me ajudar.
- Não sei se posso senhor Mephisto, mas gostaria de refazer os seus passos. Qual a última coisa de que se lembra de 2014.
- Eu estava indo visitar a minha cunhada na prisão.
- E depois?
- E depois eu a encontrei andando normalmente no centro aqui em 1995.
- Foi imediatamente, ou se lembra de ter desmaiado.
- Sabe que agora que mencionou, realmente, ficou tudo escuro antes de eu encontrá-la novamente.
- Hum,esta informação é relevante. Mais uma coisa, eu suponho que você tenha um equivalente por aqui.
- Sim eu tenho, ele tem vinte anos, mas mora em outra cidade, eu só vim para cá em 2002.
- Bom isto é um alívio, mas talvez ajude conversar com ele sobre esta situação.
- Ajudaria se eu soubesse o nome dele como já disse Mephisto é um nome familiar, não o meu nome.
- Tudo bem senhor Mephisto pode voltar para a sua ala, chamarei você em breve.
Mais tarde no Bar do Tales:
- Hey Doutor Bruno, não é muito comum vê-lo em bares.
- É verdade Marcelo, mas hoje, eu precisava tomar um whisky.
- Problemas no trabalho, ou em casa?
- Na verdade não é bem um problema.
- Mais um daqueles pacientes malucos que você cuida?
- Isto mesmo Marcelo, mas ele é muito convincente.
- Convincente como?
- Senta aí que a história é longa.
Depois:
- Está me dizendo que ele não só acertou o resultado do jogo, como sabia os lances que iriam definir o campeão.
- Ainda acha que ele é louco?
- Não sei, mas aprendi a não duvidar de quem acerta placares de jogos, isto não é nada comum.
- Ele diz que sabe de muitos fatos até 2014, da onde ele diz que veio.
- E qual é o nome dele?
- Ele se intitula Mephisto, mas diz não saber se é o nome dele.
- Dr. Bruno você pode entrar para história como o psicólogo que descobriu o viajante do tempo ou poderá fazer companhia para os seus pacientes.
- É verdade, por isto estou aqui, hoje. amanhã vou propor um exercício à ele, talvez eu possa tirar algumas conclusões.
- Eu posso conhecê-lo?
- Pode, mas peço que não o incomode, ele pode ficar nervoso.



Continua

sábado, outubro 04, 2014

Amnésia VII

Pandiá pergunta:
- Isto é comum por aqui?
- Não é a primeira vez que acontece.
- Devo supor que a minha presença ocasionou o incidente.
- Se fosse para apostar, eu diria que sim.
Lá fora:
- Vamos entrar o senhor LaBanca disse que quer isto resolvido hoje e sem testemunhas.
Na sala de Sheila:
- Pararam, isto não é bom.
- Porque diz isto?
- Acho que vão entrar na casa, você tem uma arma?
- Quem pensa que sou? É claro que não.
- Você se lembra de mim, não é?
- Sim.
- Eu não tinha uma arma?
- Acho que não, mas me lembro de ter me dito uma vez que se algum dia eu precisasse de ajuda deveria ir até o sótão.
- Entendi, talvez eu tenha uma arma por lá.
No sótão:
- Achou alguma coisa querido?
- Sim.
-Uma arma?
- Melhor, um lança chamas.
Quando os bandidos entram na casa são recebidos com uma rajada de fogo, todos correm para se salvar, um deles não escapa da rajada de fogo e grita desesperadamente para que o salvem, os outros dois abafam o fogo e o levam queimado dentro do carro e desaparecem na estrada a toda velocidade.
Na delegacia, ligação para Epaminondas:
- É o LaBanca senhor.
- Vou atender na minha sala.
- Certo senhor.
Logo:
- Epaminondas que tipo de homem é este?
- O mesmo que matamos há 3 meses.
- Não é possível o Capricórnio nunca usou um lança chamas, aliás eu tenho certeza que ele morreu, não entendo como pode estar vivo.
- Na verdade nem eu, eu também tinha certeza de sua morte, será que alguém que não conhecemos está por trás disto.
- Talvez, mas quem teria coragem de me desafiar.
- Não sei, mas vou descobrir.
Na casa de Sheila:
- Desculpe por tudo isto Sheila.
- Vai ficar de cerimônia comigo Capricórnio.
- Do que está falando?
- Falando comigo como se acabasse de me conhecer.
- Desculpe minha querida esposa, mas do meu ponto de vista foi exatamente o que aconteceu.
- Talvez eu devesse lhe contar uma coisa que vai mudar o seu pensamento.
- Do que se trata?
- Você morreu.
- Certo, agora me conte uma novidade.
- Você sofreu uma tocaia de um sujeito chamado Rafael LaBanca, o mesmo que deve ter tentado te matar de novo.
- Me matar de novo, mas como se eu já morri?
- Ele deve estar se fazendo a mesma pergunta.
- Espera aí, você disse que eu morri, mas como posso estar aqui, você quer dizer que minha morte foi simulada e tive uma recuperação incrível.
- Não, disse exatamente o que aconteceu, você morreu.
- Não estou entendendo mais nada.
- Você morreu e seu irmão...
- Meu irmão? Eu tenho um irmão.
- Tem sim. Ele se chama Francisco.
- Tá brincando.
- Não estou não. Por quê?
- Bem, nada importante.
- Você morreu tentando salvá-lo.
- No que o Francisco estava metido.
- Numa inovação para a humanidade, a clonagem humana.
- Sei e o que isto tem a ver comigo?
- Isto tem tudo a ver com você. Já se perguntou por que mesmo diante de todo o seu passado não teve um flash sequer do que realmente aconteceu?
- Eu tive um flash, de eu chegando para tentar ajudar o meu irmão que agora sei que se chama Francisco.
- Esta memória pode ter sido colocada em você. Na verdade você não perdeu a memória, você nasceu naquele dia em Rondônia.
- Eu nasci naquele dia, o que quer dizer?
- O Pandiá está morto, você é o clone dele.
Continua.

quarta-feira, agosto 13, 2014

LHB – A Mãe de Todas as Lutas

Em Santo André, São Paulo, Besouro é o primeiro a chegar seguido pelos outros:
- Um galpão, mas que falta de criatividade.
- Lembre-se Saci, só reconhecimento.
- Curupira, acha mesmo que sou algum tipo de pombo correio que virei aqui e não vou agir, você só pode estar de brincadeira.
- Gente, como vamos entrar sem sermos vistos – pergunta Guivarra.
- Assim...
Saci se transforma em um redemoinho e abre a porta de aço, dez bandidos armados até os dentes aparecem depois de uma sirene muito alta tocar. Eles atiram na direção dos heróis que se dispersam em busca de abrigo. Saci é ameaçado por um dos bandidos:
- Mãos ao alto, quem são vocês?
- Você não vai querer saber.
Saci desaparece na frente do bandido e aparece atrás dele, pega no seu ombro e o desmaia, Guivarra pergunta:
- Onde aprendeu isto Saci?
- Tupã me ensinou em um dia em que ele estava de bom humor.
Mas Guivarra tem seus próprios problemas ao ser atacada com uma salva de tiros que graças a sua super velocidade consegue desviar de todos e desarma os seus atacantes:
- O que está acontecendo lá embaixo?
- Não sei senhor Giácomo, mas vou procurar saber.
Lá embaixo:
- Quem são vocês, não são pessoas comuns.
- Não, não somos. Nos chamam de “Liga de Heróis Brasileiros” – Diz Besouro com a voz de seu rodante.
Besouro é atacado por seis inimigos, com seus conhecimentos em capoeira, livra-se de um dá uma rasteira em outro, acerta dois com um salto e aterrissa no alto do galpão, depois salta novamente e derruba os outros dois.
Curupira confunde seus oponentes com seus pés virados para trás, isto acaba lhe dando uma vantagem, ele os derruba facilmente, pois ao tentar atacá-lo os oponentes não conseguem pois Caiuá tem poderes de paralisia. E assim todos são capturados inclusive Giácomo. Logos depois Saci contacta Parmênides:
- Hey, Parmênides pode mandar o pessoal para cá a área está dominada.
- E a HAARP?
- Não tenho certeza, mas acho que tem uma pessoa aqui que sabe onde ela está.
Algum tempo depois, Giácomo está numa sala com apenas uma lâmpada, suas mãos estão presas com algemas, Parmênides entra na sala:
- Então senhor Giácomo se é mesmo este o seu nome, pelo que pudemos rastrear, você tem mais nomes que Dom Pedro I.
- Onde conseguiu a informação?
- Ora, é apenas o meu trabalho, mas estou disposto a esquecer os seus pequenos crimes se me disser onde está a HAARP.
- Não sei do que está falando.
- Certo deve ser um homem preparado para sofrer as maiores brutalidades senhor Giácomo.
- Pode apostar nisso, não direi nada sem a presença de meu advogado, eu sei dos meus direitos.
- Acha mesmo que se trata de justiça, senhor Giácomo, vou mostrar para você o que podemos fazer, gosta de escorpiões senhor Giácomo.
- Não muito.
- Talvez possa negocir com eles e não comigo, voltarei em dez minutos, talvez até lá já tenha mudado de ideia.
Quando Parmênides fecha a porta, algumas pequenas entradas são e abertas e escorpiões enormes surgem de todas as cores, vermelhos amarelos e pretos. Giácomo sobe em cima da mesa, mas os bichos logo descobrem uma forma de alcançá-lo, enquanto Parmênides se diverte com a cena vista através do espelho da sala. Logo depois:
- Parmênides, seu miserável, me tire daqui.
- É bem menos resistente do que eu imaginava, senhor Giácomo, achei que fosse aguentar os dez minutos. Então, disposto a falar?
- Não sabe no que está se metendo Parmênides, pensa que isto é uma brincadeira de polícia e ladrão, não tem ideia de quem está envolvido nisto, se soubesse, morreria de medo.
- Eu vou me arriscar, Giácomo, quem é o sujeito?
- Ele se chama Granamir.
- Granamir, como o desenho do He-man dos anos 80? - Sim nunca soube o seu nome verdadeiro, ele apareceu antes dos seus heróis e levou a HAARP.
- Eu já volto Giácomo.
Ao sair da sala:
- Rui, você disse que o localizador funcionava que a HAARP estava lá.
- Bem, senhor, aparentemente o localizador foi removido, pois o sistema diz que a HAARP continua lá, mas não encontramos o aparelho quando vasculhamos o galpão.
Parmênide retorna à sala:
- Certo, onde encontramos este Granamir?
- Voando por aí.
- Vai começar a brincar agora, senhor Giácomo, teremos que voltar aos escorpiões.
- Não, eu só quero dizer que não sei, ele é como o Keyser Soze do filme “Os Suspeitos”, não sabemos ao certo onde encontrá-lo.
- Disse que ele esteve no seu galpão antes dos meus heróis.
- Não foi ele foi um representante.
- Não tem ideia de onde eles foram?
- Não.
Parmênides sai da sala:
- Mara?
- Ele diz a verdade está com muito medo, parece ter fobia de escorpiões. E agora?
- De volta ao planejamento. Não tenho a menor ideia do que fazer.
Continua

sexta-feira, julho 18, 2014

Xadrez dos Deuses III

A viagem de ambos os deuses ocorreu sem percalços, mas alguém poderia perguntar, o que poderia acontecer com seres como eles, respondo que viajar no espaço é uma experiência longe de ser tranquila, é quase um milagre que não tenham passado por nebulosas, quasares, buracos negros ou se chocado cometas, o que poderia apenas atrasá-los em alguns milhares de anos, mas como disse não houve percalços:
- Javé, como é que vai garoto?
- Agora, muito bem Mazda, acho que faz uns mil anos que ninguém me chama de garoto.
- Sei como é isto, às vezes é um pouco chato ter tanta idade.
- Hey, Fale por você.
- Ah tá agora, vai querer me dizer que é mais novo do que eu?
- É claro que não, mas na me considero velho, sou apenas experiente.
- É claro que é.
- Sem ironia Mazda.
- Tudo bem, mas que lugar é este?
- Este lugar é conhecido como Passeio Público.
- Certo, mas achei que viríamos para a Terra.
- Estamos na Terra, Passeio Público é o nome do lugar e não do planeta. Eu te disse que viríamos jogar em uma praça, se lembra?
- Claro, mas então você prefere os humanos, em?
- Sim a fisiologia deles é mais simples e o instinto não faz tanta diferença na tomada de decisões, evidentemente com alguma evolução.
- É claro. Vamos pegar aquela mesa ali.
Os deuses distribuem as peças de maneira a poder iniciar a partida, Ahura Mazda sem paciência para arrumar as peças com as mãos, o faz com telecinese. Javé diz:
- Mazda, estamos no meu planeta, preferia que não chamasse atenção desnecessária para nós, senão poderemos não terminar o jogo.
- Disse isto por quê?
- É melhor que ajeitemos as peças com as mãos e também joguemos com elas para parecermos o mais normais possíveis.
- Seu povo não sabe da sua existência?
- Sabe, mas há uma pontinha de dúvida em cada ser humano, eu prefiro assim, pois posso caminhar entre eles sem chamar muita atenção.
O tabuleiro está organizado. Javé irá jogar com as brancas e Mazda com as pretas, Já vê faz o primeiro movimento. PE2-PE4:
- E aí Mazda o que achou do meu mundo?
- Parece um pouco vazio.
- É que são 6 da manhã, apenas poucos corajosos se aventuram a manter a saúde física e correr neste horário.
- Eles determinam horários para fazer as coisas?
- Sim.
- Você instituiu isto?
- Não isto é coisa deles, já disse não interfiro no livre arbítrio deles.
Mazda faz o primeiro movimento. PE7-PE5:
- Isto tem ajudado bastante, Zaratustra me perguntou sobre a nossa conversa e mencionei o tal livre- arbítrio, ele gostou tanto que disse que agora os nossos mundos funcionarão.
- Estou à disposição para uma consultoria, mas falando nisso ainda não apostamos nada neste jogo não é mesmo.
- Tem razão, o quer apostar?
- A julgar pelos primeiros movimentos, prevejo um jogo duro, então a recompensa deverá ser muito boa.
-O que tem em mente?
- Se eu perder, farei os seus mundos que com a minha experiências poderão funcionar, desde que me dê carta branca e assuma todos os atos que eu fizer.
- Parece uma ótima proposta, assim terei um pouco mais de tempo para mim e poderei aprender com o melhor, mas e se eu perder?
- Aí você fará um treinamento com Jesus e cuidará dos meus mundos pelo tempo que eu determinar, afinal faz muito tempo que não tiro férias, acho neste caso que você ganhará dos dois lados, em contrapartida para mim não mudaria praticamente nada com a minha derrota, mas com a vitória eu poderia espairecer um pouco e deixar de lado a preocupação com as minhas criaturas.
- Para mim está ótimo, está apostado.
Novo movimento de Javé CG1-F3.


Continua

sexta-feira, julho 11, 2014

Amnésia VI

No dia seguinte:
- Posso ajudá-lo?
- Claro eu sou o Pandiá, mas pode me chamar de Capricórnio.
- Certo senhor Capricórnio, eu sou o Lucas.
- Lucas, então, eu preciso falar com o dono do jornal, diga que o Capricórnio quer falar com ele.
Depois:
- Você não imagina o susto que tomei ao ouvir o seu nome, tive que tomar um pouco de água com açúcar, como pode você estar vivo, eu vi você no necrotério e agora está aqui na minha frente como se fosse um zumbi ressuscitado.
- Não posso responder a esta pergunta, na verdade eu esperava obter pistas com você.
- Comigo? – sente um desconforte, mexe na gravata. – O que eu poderia saber sobre isto, estou tão surpreso quanto você.
- O problema é que não me lembro de nada.
- Não se lembra? – mais aliviado – Mas como assim, chegou aqui dizendo o seu nome.
- É que encontrei um amigo e a minha esposa, então por isto sei algumas coisas.
- Tais como?
- Que trabalhei aqui neste jornal antes do incidente, pode me dizer como aconteceu?
- Posso lhe contar o que eu sei, você falou muito mal do secretário de segurança do estado por uma situação na região metropolitana da nossa cidade, um crime mal resolvido e quase esquecido, no qual muitos foram acusados injustamente, só para dar uma resposta a sociedade, acontece que depois de descoberta a farsa o crime foi esquecido, então você fez uma excelente coluna lembrando as obrigações da justiça em relação aos crimes hediondos. Coincidência ou não, no outro dia quando vim trabalhar fiquei sabendo do assalto.
- Assalto, então eu fui assaltado?
- Foi o que pareceu; você foi encontrado sem carteira, sem relógio, até o seus tênis foi roubados. Havia uma só testemunha.
- Havia?
- Sim. Havia, ela morreu de ataque cardíaco em um restaurante na hora do almoço.
- O que ela disse a respeito do assalto.
- Que você tinha sido atacado por 3 homens armados, que você teria conseguido desarmá-los, com uma técnica que achou se assemelhar ao Kung Fu, então com os três caídos, pegou o celular e ligou para a polícia, mas um dos bandidos recuperou a consciência e atirou em você na cabeça, depois os outros dois deram dois tiros cada um na sua fronte.
- Onde estava a testemunha?
- Em um prédio vizinho, ao testemunhar o assassinato, esta testemunha ligou para a polícia, falou sobre o ocorrido, mas não pode fazer os retratos falados, pois estava muito escuro para isto.
- Bom isto me ajuda bastante, pelo lado policial parece um caso simples.
- Sim, tanto que foi arquivado.
- Minha esposa me disse que foi arquivado porque eu tinha muitos inimigos e não sabiam por onde começar.
- Esta foi a justificativa dada à imprensa, quando o cerco se fechou contaram a história do assalto que parecia completamente plausível apesar de não acharem os culpados.
- Sabe quem era o delegado responsável na época?
- O Doutor Régis LaBanca.
- Bom, obrigado, pela ajuda, desculpe por ser tão direto, acho até que não me disse o seu nome.
- É, não disse mesmo, eu sou o Epaminondas.
Neste momento, Capricórnio tem um flash de memória:
- Se publicar esta matéria Capricórnio, você pode não passar desta semana.
- Por que está com tanto medo Epaminondas, por acaso foi ameaçado? Nós trabalhamos em um jornal, é nossa obrigação dizer a verdade para o público, se você não publicar, eu vou vender a matéria para o concorrente.
- Olha, Capricórnio, quem avisa, amigo é, vou publicar esta matéria, mas escute o que estou dizendo, isto será a sua sentença de morte.
- Epaminondas, nossa vida é perigosa desde que nascemos, não há o que temer.
Após isto se vê ainda cumprimentando Epaminondas, agradece pelo tempo do proprietário e sai, Logo depois na casa de Sheila:
- Como foi lá, querido?
- Foi estranho.
- Como assim?
- Tive uma longa conversa com o Epaminondas e depois tive um flash, sobre a publicação da matéria que, segundo ele me levou a morte.
Na redação do jornal:
- Alô, me passe com o LaBanca!
- Pois não senhor.
- LaBanca. - LaBanca, A águia ressuscitou.
- Tá brincando?
- Não, acabo de falar com ele.
- Como um homem leva cinco tiros na cabeça e sobrevive?
- Não tenho a menor ideia.
- O que disse a ele?
- Inventei uma história sobre um assalto.
- Acha que ele acreditou?
- Ele está sem memória, se você confirmar a história, acho que não teremos problemas.
- Sei uma maneira melhor de resolver isto.
- LaBanca, ainda não é hora de meter os pés pelas mãos.
- Epaminondas, agora você deixa isto comigo.
Na casa de Sheila:
- Acreditou nele?
- Por que não acreditaria?
- Não sei, ninguém me falou de assalto quando fui reconhecer o seu corpo, mas estava exatamente como ele descreveu, no entanto eu estava tão desesperada que nem perguntei coisa alguma, a minha dor era muito maior do que qualquer curiosidade.
Neste momento uma rajada de balas atravessa a janela levantando as cortinas, Pandiá percebe o perigo e se joga com a esposa para trás do sofá.


Continua.

quinta-feira, julho 03, 2014

LHB - À Procura de Giácomo

Sempre importante lembrar que LHB (Liga de Herois Brasileiros) é uma série de contos deste blog iniciado em setembro de 2011 a respeito da origem dos grandes heróis nacionais e suas ações em nosso país
- Parmênides, Parmênides!
- O que houve, Rui?
- Eles chegaram.
Logo:
- Parabéns pelo excelente trabalho, principalmente a Mara pela boa coordenação, onde está o Besouro:?
- Ele está comigo, chefe. – Diz Mara.
- Chamem o rodante, prefiro falar frente à frente com ele. Quero saber sobre as pistas que temos.
Mais tarde:
- Muito bem, quem quer começar?
Saci toma a palavra:
- Lá em Curitiba, eu soube de uma coisa curiosa, um vendedor de frutas garante que um italiano causou os tornados, quando perguntei como ele tinha tanta certeza, ele respondeu que era sensitivo. Então voltei a perguntar se tinha um nome pelo menos, ele disse que não.
- O quanto ele confiável, Saci?
- Sei lá, como qualquer jornal de imprensa marrom.
- Talvez esta pista não seja tão ruim assim.
- Porque acha isto Besouro?
- Iansã me disse que sabe quem está provocando os distúrbios climáticos.
- Ela chegou a lhe dizer quem era?
- Veja Parmênides, entidade como Iansã, não são tão claras quando falam, ele me disse que eu saberia onde procurar e a única pista que ela deu foi “o verdureiro está certo.”
- Tudo bem só conjecturas por enquanto. Mara?
- No Rio, me disseram que tudo começou do nada, como vocês mesmos me disseram parece que é um fenômeno geológico.
- Sabe que não é só isto, Mara; tive a informação de que a HAARP poderia provocar terremotos, para abrir vulcões seria um salto enorme, mas não podemos dizer que é impossível..
- Falando em salto, lembrei de uma coisa, um dos que salvei fazia salto em altura, ele disse que viu um sujeito fazendo estudos geológicos na avenida Atlântica dias antes da abertura das crateras.
- E por que isto é relevante?
- Porque o sujeito se chamava Giácomo e tinha sotaque italiano.
- Parece que nossas pistas estão nos levando a algum lugar, ele tinha a localização deste Giácomo.
- Não, a conversa foi totalmente formal, ele só soube o nome do sujeito porque o ajudante dele o chamou assim.
- Então não evoluímos muito. Curupira alguma coisa?
- As ondas do Ceará foram provocadas por um surfista.
- Como assim?
- Todo o pessoal da praia viu quando aconteceu, o surfista estava no mar sozinho e de repente vieram ondas gigantescas e todos correram.
- Alguém sabe sobre o tal surfista.
- Esta é a parte interessante, ele sumiu no meio das ondas.
- Quer dizer que se afogou?
- Não, ele sumiu no meio das ondas. Achei que fosse brincadeira também, mas todos confirmaram a história.
- Tudo bem, esta história levanta mais perguntas do que respostas. Caipora e com você, alguma pista?
- Acho que sim e é das boas, eu estava conversando com Tupã, então ele estava falando sobre algumas experiência como a que aconteceu na Amazônia, aí eu ouvi uma conversa na mata, isto tirou a minha conexão com Tupã, nesta conversa um sujeito que se chamava Giácomo estava muito bravo falou a pessoa que estava no telefone, vamos marcar uma reunião em São Paulo, vamos reagrupar, quem são estes heróis como eu vou negociar os pagamentos com as prefeituras se estes enxeridos resolvem todos os problemas que eu crio.
- Puxa, finalmente, agora temos um local e sabemos que é um italiano que se chama Giàcomo, mas precisamos de mais.
- Chefe, talvez eu tenha este “mais” que o senhor precisa.
Todos vão para a frente do computador:
- O que é isto que estamos vend, Rui?
- O local da reunião, isto piscando na tela é a HAARP.
- A HAARP tem um localizador?
- Tem, mas não estava funcionando até agora. A máquina está no ABC paulista, na cidade de Santo André.
- Mara você fica aqui para qualquer emergência, os demais vão para Santo André e localizem a máquina, mas antes disto duas coisas, primeiro pode ser uma armadilha, então muito cuidado e depois, apenas se certifiquem de que está lá, depois traçaremos o plano para buscá-la.
- Entendido. Alguma pergunta?
- Sim, já sabemos que está lá, o localizador está dizendo isto. Por que devemos retornar se podemos trazer a máquina?
- Sei o que estou fazendo Saci, vocês devem retornar.
- Já sei é uma daquelas informações confidenciais não é?
- Sim, Vão! Quando Todos saem. - Parmênides, esta nem eu entendi, eles podem trazer a HAARP, viu o que fizeram com os eventos climáticos.
- Mara, já disse, sei o que estou fazendo, não vou perder esta máquina por nada, se fizerem do meu modo, vamos resolver a situação, sei exatamente com quem estamos lidando, é como um jogo de xadrez, você pode achar que está próximo da vitória , mas se fizer um movimento errado, a partida ficará comprometida. Entendeu?
- Não tenho certeza.
- Faça o que eu mando e tudo vai dar certo.


Continua.